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Mercado de ativos reais (RWA): o que é, como funciona e tendências
11 de fevereiro de 2026 |

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11 de fevereiro de 2026 |

Você já imaginou investir em um imóvel de alto padrão ou em barras de ouro com a mesma facilidade que compra uma ação no celular pelo home broker da sua corretora? O que antes era restrito a grandes investidores está se tornando acessível graças ao mercado de RWA.
A sigla para Real World Assets — ou ativos do mundo real, em português — representa uma das maiores transformações do sistema financeiro atual. Ela une a solidez dos bens físicos com a agilidade da tecnologia blockchain para destravar valor e liquidez.
Neste artigo, você verá como essa estrutura funciona e por que ela é considerada a ponte entre o mercado tradicional e a economia digital. Entenda como o RWA pode mudar a gestão de ativos no Brasil e no mundo.
Ativos reais são bens e direitos que possuem existência concreta no mundo físico ou jurídico. Estamos falando de imóveis, commodities, títulos de crédito e recebíveis que possuem lastro econômico real e verificável.
No contexto da Web3, o termo RWA descreve esses ativos quando são representados digitalmente por meio da tokenização. Nesse modelo, o bem físico continua existindo fora da rede, mas ganha uma “identidade digital” para negociação.
Diferentemente de criptoativos nativos, como o bitcoin (BTC), os RWAs têm sua valorização atrelada ao ativo original. Isso reduz a volatilidade extrema, já que o preço do token reflete o valor de mercado de um bem tangível e tradicional.
O mercado de RWA funciona a partir da digitalização de bens para que sejam operados em ambientes de blockchain. Esse processo remove as barreiras geográficas e operacionais dos investimentos tradicionais, tornando-os mais transparentes.
Entenda!
A tokenização transforma um ativo real, como um imóvel, um título de crédito ou uma commodity, em tokens digitais que representam direitos econômicos sobre esse bem. Esses tokens podem corresponder à totalidade do ativo ou a frações dele, o que amplia o acesso de investidores.
Antes da emissão dos tokens, o ativo passa por etapas de estruturação jurídica, definição de lastro e, em muitos casos, auditoria. Após esse processo, os tokens são disponibilizados em plataformas específicas, respeitando as regras regulatórias aplicáveis.
A blockchain funciona como o registro imutável das transações, garantindo rastreabilidade, transparência e segurança. Todas as movimentações dos tokens ficam registradas em rede pública ou permissionada, reduzindo a dependência de intermediários.
Os smart contracts automatizam regras do ativo tokenizado, como pagamento de rendimentos, vencimentos, transferências e restrições de negociação. Com isso, o mercado de RWAs ganha eficiência operacional, menor custo e maior previsibilidade entre emissores e investidores.
Diversos ativos do mundo real podem ser tokenizados, desde que exista lastro claro, direitos bem definidos e estrutura jurídica adequada. A seguir, os principais exemplos já presentes no mercado de RWAs:
Uma característica que é comum a esses ativos, é que todos precisam ter lastro verificável, estrutura jurídica bem definida e mecanismos de governança que garantam a relação entre o token e o bem original. A tokenização não altera a natureza do ativo, apenas amplia suas possibilidades de negociação.
Para compreender por que grandes instituições financeiras e o Banco Central estão acelerando projetos de tokenização, é preciso olhar para as dores do mercado tradicional. Ativos de alto valor costumam sofrer com a falta de liquidez, excesso de burocracia e custos de intermediação.
A tecnologia de RWA digitaliza esses ativos e reformula a lógica de como eles são negociados. Confira abaixo as principais vantagens que essa estrutura oferece:
A tokenização permite que ativos de grande porte, como imóveis comerciais ou safras agrícolas, sejam divididos em milhares de frações digitais. Isso reduz o ticket mínimo de entrada, permitindo que pequenos investidores participem de mercados antes restritos.
Ao democratizar o acesso, o modelo de RWA amplia a base de participantes e injeta novo capital em setores tradicionais. Para o investidor, o grande benefício é a capacidade de diversificar o portfólio entre diferentes classes de ativos reais com pouco recurso.
Um dos maiores problemas dos ativos físicos é a baixa liquidez. Muitas vezes, vender um imóvel ou um título de dívida privado pode levar meses. Com os RWAs, esses bens passam a ser negociados 24/7 em plataformas digitais, com liquidação muito mais rápida.
A tecnologia blockchain simplifica a transferência de propriedade e remove etapas manuais de verificação. Esse ganho de agilidade torna o mercado mais dinâmico, diminuindo o tempo de espera entre a ordem de compra e a efetiva posse do ativo.
A utilização de blockchain cria registros imutáveis das transações, o que facilita a rastreabilidade dos ativos e o acompanhamento das operações por investidores e reguladores. Esse nível de transparência contribui para a redução de assimetrias de informação.
Com smart contracts, regras contratuais e fluxos financeiros são executados de forma automática, reduzindo custos administrativos e operacionais. O resultado é uma estrutura mais enxuta, com menor risco de falhas humanas e maior padronização.
O mercado de RWA não é apenas uma promessa tecnológica, mas uma realidade que está moldando o novo sistema financeiro global. As tendências para este setor apontam para uma convergência total entre o digital e o físico.
Saiba mais!
Grandes bancos e gestoras globais estão em uma fase de pilotos para entender como a tokenização pode otimizar custos de custódia e liquidação. O objetivo atual é validar tecnologias que permitam a movimentação de grandes volumesde capital com segurança.
Essas instituições buscam criar redes que conectam o sistema financeiro tradicional à eficiência da blockchain. O foco está na criação de “trilhos” digitais que sejam compatíveis com as exigências de compliance, garantindo que o ativo digital tenha o mesmo respaldo que o físico.
Para se ter dimensão, um levantamento do RWA Monitor mostrou que esse mercado atingiu R$ 1,5 bilhão no Brasil em janeiro de 2026. O número representa um crescimento de mais de 1.000% em 12 meses.
Veja também: Retrospectiva cripto 2025: bitcoin, stablecoins e regulação global
Outra tendência é a integração entre as finanças tradicionais (TradFi) e as finanças descentralizadas (DeFi). Esse modelo híbrido permite que investidores convencionais utilizem protocolos de blockchain para buscar rendimentos em ativos reais de forma automatizada.
Essa união busca trazer o melhor dos dois mundos: a segurança regulatória das instituições tradicionais e a eficiência tecnológica dos contratos inteligentes. O resultado é um ecossistema mais fluido, onde o capital circula mais facilmente.
A tokenização de recebíveis e títulos de dívida está revolucionando o acesso ao crédito corporativo. Por meio dos RWAs, pequenas e médias empresas conseguem acessar liquidez global de forma mais rápida e barata, oferecendo seus ativos como garantia digital auditável.
Esse movimento descentraliza o fornecimento de crédito, que deixa de ser exclusividade de poucos bancos. Com o crédito tokenizado, investidores de qualquer lugar do mundo podem financiar operações produtivas reais, garantindo maior competitividade para o setor empresarial.
No mercado de crédito, a projeção é de crescimento de R$ 7 trilhões em 2026 com apoio institucional.
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São bens do mundo físico ou jurídico, como imóveis, ouro e títulos de dívida, que possuem lastro concreto. No mercado digital, o termo RWA refere-se à representação desses ativos em blockchain por meio da tokenização, permitindo que sejam negociados e fracionados de forma segura.
O processo transforma um bem real em tokens digitais. Cada token representa uma fração ou a totalidade dos direitos econômicos sobre o ativo. O registro é feito em blockchain, garantindo transparência, enquanto contratos inteligentes (smart contracts) automatizam regras de pagamento e transferência.
As principais são o fracionamento (que reduz o capital mínimo para investir), o ganho de eficiência operacional e a transparência. A tecnologia permite que ativos tradicionalmente lentos e burocráticos ganhem mais liquidez e tenham seus custos de intermediação reduzidos.
O mercado caminha para uma fase de testes institucionais robustos, com foco em segurança regulatória. A tendência é o crescimento da união entre a agilidade do digital com a proteção do sistema financeiro tradicional, além da expansão do crédito via recebíveis tokenizados.