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Estados Unidos e Venezuela: como a intervenção dos EUA pode impactar a economia e o câmbio.
7 de janeiro de 2026 |

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7 de janeiro de 2026 |

O ano de 2026 começou com um evento que alterou o equilíbrio de forças na América do Sul. No dia 3 de janeiro, forças especiais dos Estados Unidos realizaram a Operação Resolução Absoluta, resultando na captura de Nicolás Maduro em Caracas.
O líder venezuelano foi levado para um centro de detenção em Nova York, marcando o ápice de uma escalada de tensões que vinha sendo construída desde o segundo semestre de 2025. Muito além das manchetes políticas, esse movimento gera ondas de choque que atingem diretamente os mercados financeiros, o setor de energia e a economia brasileira.
Com a maior reserva de petróleo do mundo agora sob uma zona de influência direta de Washington, o tabuleiro global de commodities entrou em uma nova fase de incerteza e reestruturação.
A seguir, entenda como chegamos a esse ponto, o que é a nova Doutrina "Don-Roe" e quais são as consequências práticas para a inflação, o dólar e o mercado brasileiro.
A intervenção de janeiro de 2026 não foi um evento isolado, mas o desfecho de um cerco planejado. As tensões entre os dois países já vinham aumentando ao longo de todo o segundo semestre de 2025.
A estratégia americana mudou de patamar em julho, quando o Departamento de Justiça dobrou a recompensa por Maduro para US$ 50 milhões. A entidade também classificou oficialmente o governo venezuelano como uma organização terrorista internacional ligada ao Cartel de los Soles.
Essa reclassificação jurídica foi o movimento necessário para que o Pentágono pudesse agir militarmente contra o regime venezuelano sem a necessidade de uma declaração formal de guerra contra um Estado soberano. Ou seja, tratando a operação como uma ação de combate ao narcotráfico.
A escalada foi marcada por movimentos coordenados que sinalizavam o fim da via diplomática:
A operação culminou na madrugada do dia 3 de janeiro, com uma incursão de tropas em um complexo fortificado. A confirmação da captura de Maduro foi feita via redes sociais por Donald Trump.
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Para o mercado financeiro, um dos conceitos mais importantes reafirmados neste início de 2026 é o que o governo americano chamou de Doutrina Don-Roe. Ela representa uma atualização da Doutrina Monroe de 1823, cujo lema original era "A América para os americanos".
Originalmente, a ideia era impedir a recolonização europeia no século XIX. Agora, a versão de 2026 redireciona esse foco para o século XXI. O objetivo é controlar a influência comercial, tecnológica e militar da China e da Rússia do Hemisfério Ocidental.
Nas últimas décadas, a Venezuela se tornou um dos maiores receptores de investimentos chineses na América Latina, por exemplo. A Rússia, por sua vez, teria transformado o país em um dos seus principais clientes de tecnologia militar e sistemas de defesa.
Assim, na visão de Washington, o território seria estratégico para potências rivais a poucos quilômetros da costa americana. A captura de Maduro representa um impacto nos interesses orientais na região.
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Em um primeiro momento, o impacto mais visível foi a disparada do ouro como o termômetro do medo. Na primeira semana de janeiro, o metal atingiu sua maior alta em 46 anos, batendo o recorde de US$ 4.453 por onça-troy.
Nesse sentido, o ouro reafirmou seu papel como reserva de valor. Por ser um ativo neutro, ele não depende de governos e não pode ser congelado por sanções, mantendo valor enquanto moedas tradicionais oscilam.
Essa fuga para a segurança também consolidou o bitcoin como o "ouro digital". Em cenários de expropriação e bloqueios financeiros, a portabilidade da rede blockchain se torna estratégica.
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O ponto central que mexe com o bolso do consumidor e com o balanço das empresas é o petróleo. A Venezuela detém quase 18% das reservas mundiais provadas da commodity.
Contudo, devido ao sucateamento da indústria local, o país produzia até o fim de 2025 apenas 1,1 milhão de barris por dia — menos de 1% da oferta global.
Com a promessa americana de investir bilhões para restaurar a produção, o mercado projeta dois cenários distintos:
Para o setor de óleo e gás no Brasil, a situação é de "corda bamba". A retomada da produção venezuelana significa mais concorrência para o petróleo pesado brasileiro.
O Brasil enfrenta um dilema triplo em 2026. Primeiro, há o aspecto diplomático, já que o governo brasileiro condenou a intervenção, o que pode gerar atritos com Washington.
Segundo, há o aspecto humanitário. Isso acontece porque a instabilidade em um vizinho pode gerar uma nova onda migratória, principalmente em Roraima, pressionando serviços públicos e orçamentos regionais.
Mas é no terceiro pilar — a economia — que o impacto é mais imediato. Como 2026 é um ano eleitoral no Brasil, a alta do dólar causada pela fuga de capitais para "portos seguros" (como o Tesouro Americano) encarece produtos importados e combustíveis, alimentando a inflação.
O real sofre desvalorização em momentos de conflito regional, o que reduz o poder de compra da população e obriga o Banco Central a manter posturas mais conservadoras.
Além disso, a captura de Maduro não encerra o conflito. A vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o comando interino das forças chavistas e o clima em Caracas é de resistência e repressão.
Além disso, o isolamento diplomático da região pode afetar fluxos comerciais e investimentos estrangeiros em toda a América Latina.
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Uma ação militar dos EUA em 3 de janeiro de 2026 que capturou Nicolás Maduro em Caracas, baseada na classificação do regime como um cartel de narcotráfico.
A Venezuela possui as maiores reservas do mundo. A intervenção pode levar a investimentos americanos que aumentem a oferta global no longo prazo, baixando os preços, mas gerando volatilidade no curto prazo.
O Brasil sofre com a valorização do dólar (fuga de capital da região) e com o risco de inflação em ano eleitoral, além de possíveis crises humanitárias na fronteira.
Estratégias de hedge cambial contribuem para reduzir a incerteza quanto à volatilidade de moedas fortes, como o dólar.